Rádio Vibe Ploc

07 abril 2014

METADE 2 (EM PARTE - OSVALDO E EU).

Sou fraco e sujo no meu empenho
De tentar fazer as coisas boas como anseio
com a Sorte de tudo em que acredito
Com o Fel que tanto desdenho,
Porque metade de mim está chorando
A outra metade continua sangrando.

A música que minha alma esconde
Quer ser o torpor da minha tristeza
Talvez o choro que vem da madrugada
Me deixou insone e distante,
Pois metade de mim é partida
A outra metade é Chegada.

As palavras que hoje calo
Não serão ouvidas e nem repetidas com fervor,
Apenas recolhidas como uma Flor de Maio
Que abrirá suas flores se houver amor,
Pois metade de mim é o que quero
A outra metade é o que tento.

Em boa hora pretendo ir embora
Transformar a alma na paz que mereço,
Que a tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada...
Porque metade de mim é o que penso
A outra metade não quer mais nada!

Que a Solidão um dia me abrace
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos agradável,
A velhice que transmuto através do espelho
Lembre que eu não serei um reles miserável
Pois metade de mim é a lembrança do que poderia ser
A outra metade foi aquilo que tentei ser...

Eu não preciso de torpor para sentir alegria
pois em CRISTO busco aquietar o espírito,
E que no silêncio ele me fale cada vez mais
para tentar ser o portador da paz,
Pois metade de mim é amigo
A outra metade é cansaço

A Arte me apronta uma resposta
Mesmo que ela mesma não saiba,
E que ninguém consegue entender
Porque é preciso florescer,
Pois metade de mim é Alétheia
A outra metade é desvão...

Que um dia esse louco seja perdoado
Pois metade de mim já foi amor
E a outra metade é aquilo que convém.

{Poema escrito em cima da música Metade, de Oswaldo Montenegro. É HOMENAGEM MESMO!}

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