Momento de silêncio. Não sei bem o que aconteceu, mas vim parar em um quarto branco, cercado de brancura e sem janelas, nenhuma ventilação aliás. Estava preso. Batia nas paredes e nada, não se abria nada. Eu me olhei e estava todo de preto, dos pés a cabeça. Meus pés estavam sujos, pretos, encardidos demais.
DO nada, abriu-se uma porta em uma daquelas paredes e vi a mim mesmo. Não era possível, era eu mesmo, só que todo branco e com a cabeça cheia de sangue pisado. Como assim, eu estava na minha frente, rindo de mim mesmo:
-OI Marcus, sou eu mesmo. Na verdade, Eu sou o seu verdadeiro eu. Estou com sangue na cabeça, mas não sei o que aconteceu... Só sei que estou te vendo agora e estou espantado comigo mesmo. Que pés sujos são esses? Que dúvidas você tem agora?
-Poxa Marcus, isso que ia te perguntar. Em que estágio da vida nós estamos a ficar? Se você sou eu então me diga certo, que sangue é essa na sua cabeça a jorrar?
-Eu não sei porque esse sangue está assim, só sei que a cabeça dói. Pensei que você tivesse alguma resposta satisfatória para me dar.
Outra porta se abriu e era eu de novo. De verde, roupas e tudo mais. A péle verde, a roupa verde, os olhos verdes, era esquisito demais. Então perguntei:
-Quem é você, que sou eu mas de verde?
-Sou o tempo ao qual estava na barriga de sua mãe. Era fruto de concepção, mas seu pai me deu um chutão. Normal, não se pode escolher o pai que se tem, fazer o que... ele não me queria muito bem.
-Então se você sou eu que ainda não nasceu, o que fazes aqui?
-Na verdade vim convidar vocês para um passeio, que tal a gente caminhar?
Então uma porta se abriu, eu, eu mesmo e a mim mesmo andamos por ela, quando as luzes apagaram... Na verdade, abri meus olhos e estava do lado de mim. Minha mãe chorava e uma outra mulher me dava a mãe. Outras pessoas gritavam na porta, porém não ouvia sons. Pela primeira vez, entendi que algo estava muito errada.
Alguém me tocou, era eu de novo. Então perguntei o que está acontecendo:
-Infelizmente Marcus, você está morrendo. Alguém quer você morto e está orando por isso.
-Mas como assim? O que fiz a tal pessoa?
-Você nasceu! E entrou na vida dela.
-Mas eu não posso nascer de novo e não entrar na vida de quem quer que seja... Meu destino é morrer?
-Digamos que não, mas algo você precisa ver...
Fui levado a uma outra porta por mim e entramos em um belo jardim. Era um lugar sem nome. Ele disse que este é o lugar onde as pessoas não têm dor com amor e felicidade...Eu virei para os meus olhos e comecei a chorar. Não é o fim, mas um recomeço.
E naquele jardim meus erros começaram a aparecer. Vários gritos e risos, choros e espasmos, gemidos de dor e angústia. Entendi o que era. Só que levado por mim mesmo, eu outro veio sorrindo e me disse: "Você acha que é o fim?"
Quando fui me virar para responder, levei um tapa de mesmo que disse:"PORRA, Muda a sua vida e seu jeito de agir. Algo está errado em você e entenda que tens a segunda chance. Erros não são para serem cometidos de novo... Pode ser?"
E como um shock, senti meu peito doer e fui levado por mim para outra sala. Dor, Dor, Dor e uma luz brilhante, que castigava meu olho. Virei para trás e perguntei: "Acabou?"
Aquele eu disse:"Não, mas você precisa ir"
Dor, Dor, Dor e falta de ar... Ar... Aaaaa...
E abri os olhos. Minha fotofobia me fez arder o olho. Alguém gritou:"Doutor, ele acordou". Havia uma bolsa de sangue, transfusão e dois médicos que respiravam aliviado.
"O que está acontecendo?" - Perguntei
"Descanse, você estava andando na rua e uma bola te acertou, você bateu com a cabeça no chão e as pessoas acharam que você estava morto. Graças a Deus, está tudo ok"
"Doutor, Eu me senti paranoico, como se fosse um verdadeiro inimigo ou falso amigo de mim mesmo. A Ansiedade está me atacando e estava ficando sem ar. Estou com tantos problemas pelos quais não sei porquê passei... Estava morrendo e minhas mãos ficaram úmidas, suando depressões..."
"Marcus, entenda que tens a segunda chance. Vá e não peques mais."
Alô? Mandou uma idéia para você... Este espaço poético (ou não, dependendo do ponto de vista) visa apenas ao entretenimento e ao desabafo de um ser. Não encare tudo como verdade absoluta. O negócio é ser isso uma espécie de espelho. Tudo que for escrito neste site pode ser usado, modificado, distribuído livremente, enfim CREATIVE COMMONS (A unica coisa que peço é que cite a fonte e o autor). Um grande abraço.
Rádio Vibe Ploc
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