Rádio Vibe Ploc

06 janeiro 2007

Era para ser romântico, mas não passa de pose.

De repente, o vazio
e todas as minhas certezas
com todas as cores
e profundidade de beleza,
simplesmente caíram por terra.

Reduzido à pó
em uma simples frase...
Como se fosse a pior criatura
acabei me resignando.

E aquela pessoa
que acreditava me amar
de tal forma intensa,
na verdade, queria dormir
e deixar qualquer tipo de intenção
de qualquer coisa para um outro dia.

A monotonia,
Essa se faz presente
e de uma forma heróica,
rotineira.

É... Realmente me esqueci
que o dia-a-dia
contas
e outras coisas
transfomam qualquer romance em cotidiano...

Cotidiano... "Todo dia ela faz tudo sempre igual..."
Chico já tinha alertado isso e pensei: "Blah, balela de poeta"...
Chico está certo.

Os problemas vêm, em avalanche
estão querendo me soterrar,
tentei chorar e só consegui
olhar pela janela o tempo nublado.

O tempo, aquele do relógio
gargalha na minha cara e diz:
"Está vendo? Eu tenho minha rotina
e ela seduz a qualquer um, seja homem ou mulher...
E vencê-la é foda!".

E admito que perdi,
deixa para lá...
"E hoje vivo tristonho, com resignação"

{Desabafo poético, baseado em Chico Buarque - Cotidiano e Fundo de Quintal - Resignação}

Um comentário:

  1. Perdi a conta de quantas pessoas me perguntam "quem é você?" sem a menor intenção real de saber. Preferia um sincero "que rótulo a senhora deseja usar nesta bela ocasião?"
    Não... infelizmente, não me refiro apenas às superficialidades burlescas da vida em sociedade.
    Há uma profusão de solidões doentias, alastrando-se entre nós feito a peste.
    Solidão de entendimento, alimentada por quem fala, mas não ouve, e passa a falar cada vez mais compulsivamente, para que o som da própria voz finja exorcisar o silêncio maior, de dentro da alma.
    Solidão vazia, semeada em olhares e sorrisos, corretos, cordatos, adequados, aromatizados artificialmente e aprovados pelo FDA.
    Solidão desesperada, de quem se cerca de toda compania possível, tentando esquecer o que lhe habita, nos mais íntimos recônditos da essência.
    Solidão silenciosa, dos que jamais darão voz aos horrores que já testemunharam (ou ainda testemunham).
    A minha é a de quem rasga rótulos e, mesmo falando a lingua natal, em sua terra natal, quase nunca é entendida.

    p.s.: Ando verborrágica demais e com uma vontade imensa de me utilizar do símbolo de não pertence!!!

    beijos pra vc

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